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22/12/2014

LEGISLAÇÃO - Teste da linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório

 

 

Lei aprovada no primeiro semestre entrou em vigor nesta segunda-feira (22/12/2014).
Teste avalia se o bebê nasce com a língua presa e se é preciso cirurgia.

LEGISLAÇÃO - Teste da linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório

A partir desta segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 - 180 dias após a publicação oficial da Lei nº 13.002/2014, passa a ser obrigatória a realização do teste da linguinha em recém-nascidos na rede pública e na rede privada em todo o país. O teste, que pode ser feito por qualquer profissional de saúde, consiste em verificar se o freio que liga a língua do bebê à boca apresenta algum tipo de deformação. Se houver o problema, a criança pode desenvolver a chamada língua presa e, por isso, a cirurgia é indicada.

O Ministério da Saúde informou que o teste já era realizado em todo o sistema público de saúde, junto com outros testes para o recém-nascido, como os testes da orelhinha e do pezinho.

Ainda segundo o ministério, especialistas da pasta trabalham em uma regulamentação da lei que obriga o teste da linguinha, que vai estabelecer padrões para a realização do procedimento em todo o país.

Do G1, em Brasília

[Fonte: G1 - Bem Estar - 22/12/2014]

 

Teste da linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório em todo o país

Teste da linguinha passa a ser obrigatório em hospitais e maternidades da rede pública e particular

A partir desta semana, hospitais e maternidades das redes pública e particular passam a ser obrigados a fazer o chamado teste da linguinha em recém-nascidos. A determinação foi criada pela Lei nº 13.002/2014. O objetivo do exame é detectar se existe alguma alteração no chamado frênulo, membrana que liga a língua à parte inferior da boca - também conhecido como freio. A alteração pode gerar a popular língua presa.

A comerciante Eliane Tobar descobriu que o filho mais novo, hoje com 1 ano, tinha o problema quando encontrou dificuldade para amamentar. O diagnóstico foi feito um mês depois do nascimento do bebê. "Eu reclamei para a doutora que na hora em que ele ia mamar, doía muito. A dor era insuportável no braço. Ele mamava a cada 20 minutos, meia hora".

A fonoaudióloga e integrante da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia Roberta Martinelli criou a metodologia para fazer a avaliação de bebês e diagnosticar o problema. "No primeiro momento, o teste veio para detectar a língua presa, que é quando esse fio está fixado mais para a ponta da língua. Só se considera língua presa quando limita o movimento". Os problemas vão além da dificuldade na fala. No caso dos recém-nascidos, a alimentação pode ser prejudicada já que afeta a sucção. "Tem sido uma das maiores causas de desmame precoce. Ele [o bebê] pode ter dificuldade de passar para a papinha porque tem dificuldade de deglutição. Por volta de um ano e meio, pode ter problemas no processo mastigatório também".

A fonoaudióloga lembra que o exame observa os aspectos físicos da língua, mas que outras características também precisam ser avaliadas como, por exemplo, a maneira como a criança mama e até mesmo o choro. "A gente observa características do choro porque o bebê que tem essa língua presa sobe mais as laterais do que a ponta da língua. Ela [a ponta] fica mais baixa que as laterais". No caso do filho de Eliane, a solução foi um procedimento cirúrgico conhecido como pique. Um corte foi feito no freio para que a língua pudesse ter mais movimento. Com anestesia local, a cirurgia dura poucos minutos e logo em seguida a criança já pode ser amamentada.

O filho mais velho de Eliane também foi diagnosticado com a língua presa mas, diferentemente do caçula, já estava maior. A mãe comenta a dificuldade que teve de alimentar o primeiro filho. "Foi uma pena mesmo que eu não consegui amamentar, porque tinha leite mas não conseguia. Ele não dava conta de engolir". A cirurgia, nesse caso, também foi recomendada.

Apesar de a lei ser considerada um avanço em alguns aspectos, a pediatra Patrícia Salmona, que integra o Departamento de Genética Clínica da Sociedade Brasileira de Pediatria, acredita que é preciso considerar alguns pontos com relação ao tratamento. Ela conta que existem graus diferentes de língua presa e, por isso, o tratamento varia. "Nem todas têm a indicação do tratamento do pique na língua. As que não têm indicação cirúrgica poderiam ser mandadas sem necessidade [para cirurgia]".

Patrícia lembra que, muitas vezes, não há consenso entre os profissionais que fazem o teste com relação ao procedimento cirúrgico. "A prevalência da língua presa gira em tono dos 15% mas, desses, nem 10% têm indicação de fazer o procedimento. Metade seria necessária e na outra metade fica a dúvida". Ela explica que, muitas vezes, a criança precisa ser reavaliada e defende que o diagnóstico seja feito por profissionais habilitados.

Para a fonoaudióloga Roberta Martinelli, os profissionais precisam ser treinados e é necessário adotar um protocolo para ajudar na padronização do teste. "Enquanto não se tiver uma padronização, vão fazer no ‘achômetro’ e isso não pode. Estamos lidando com bebês. O protocolo só indica para a cirurgia quando o caso é extremamente nítido. E esses casos não podem sair da maternidade sem diagnóstico".

Segundo a assessoria do Ministério da Saúde, as diretrizes que trarão o detalhamento para o diagnóstico estão sendo elaboradas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias e um grupo de trabalho formado pela Coordenação-Geral de Saúde da Criança, diz a nota. Ainda conforme o texto, a diretriz nacional trará recomendações sobre como fazer o teste, e o ministério tem orientado os profissionais sobre a importância da avaliação.

De acordo com a assessoria do ministério, mesmo sem a regulamentação, a aplicação da lei está valendo e a norma vai reforçar o que já é feito hoje. A avaliação e a cirurgia são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), assim como outros testes importantes como o do pezinho, da orelhinha e do olhinho.

O deputado federal autor da lei, Onofre Augostini (PSD-SC), informa que o Ministério da Saúde será o responsável pela fiscalização e acredita que com a obrigatoriedade, muitos problemas serão evitados. "Vai evitar que quando a criança fique adulta, se ela apresentar a deficiência chamada linguinha presa, tenha dificuldade para falar, para amamentar".

Martinelli diz que agora a expectativa é de que as diretrizes do ministério sejam logo elaboradas. "O que queremos é que não demore muito. Quanto mais demora, mais as maternidades vão demorar a se adequar".

Para Patrícia Salmona, a grande vantagem da lei é que a partir de agora mais crianças poderão ser diagnosticadas. "Não é uma frequência tão baixa. Então, fazer uma triagem é interessante. Seremos o primeiro país a fazer essa triagem". E completa: "Vem para somar, como uma ferramenta a mais para o médico". Ela observa que caso a cirurgia seja necessária, quanto menor a criança, mais rápida é a recuperação. "A cirurgia seria praticamente indolor. Não é uma cirurgia grande, mas logo que nasce é uma coisa ínfima".

Michelle Canes - Repórter da Agência Brasil
Jéssica Gonçalves, do Radiojornalismo - Colaboração
Graça Adjuto - Edição

[Fonte: EBC - Agência Brasil - 22/12/2014]

 

Teste da Linguinha vira obrigatório e seu bebê vai ganhar muito com isso

A partir de 2015, todas maternidades e hospitais do país serão obrigados por lei a realizar o Teste da Linguinha em bebês recém nascidos (nas primeiras 24 horas).

LEGISLAÇÃO - Teste da linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório

(Foto: Leungchopan / ShutterStock.com)

Como é feito esse procedimento e para que serve?

A realização do teste da linguinha é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, pois através desse exame poderá se detectar eventuais problemas de fala, como a "língua presa" .

O exame consiste em verificar se existe alteração no frênulo (conhecido como freio), que é a membrana que liga a parte inferior da língua ao assoalho (ou a base, como preferir) da boca. Caso seja detectada a "língua presa", um pequeno corte na membrana é realizado.

Porquê o Teste da Linguinha precisa ser feito logo nos primeiros dias do bebê?

A resposta é que uma eventual má formação da membrana da língua pode prejudicar seriamente a amamentação e o desenvolvimento da fala.

Quanto mais tarde for detectada a língua presa, mais complicada fica a recuperação (principalmente quando já é adulto), pois a pessoa já sofreu enormes prejuízos no desenvolvimento da fala ao longo dos anos, além de o corpo já ter se formado.

E se formos pensar que a dificuldade na fala afeta a auto estima e dificulta o aprendizado da pessoa, o problema se torna muito mais sério.

Como o bebê ainda não tem o corpo formado, uma correção na boca ainda nos primeiros dias de vida será absorvida naturalmente.

Essa transformação do Teste da Linguinha em lei federal é uma vitória da Fonoaudiologia brasileira.

A amamentação pode ser prejudicada?

Vejam como são as coisas. É comum mamães se acharem culpadas quando a amamentação não acontece adequadamente. Mas muitas delas não sabem que às vezes o problema está na má formação da língua do bebê, e a anomalia passa batida. Mais um motivo para a necessidade do teste.

A língua do bebê faz um super trabalho de sucção e deglutição para tirar o leite do peito da mãe. E esse processo pode ser dificultado caso o pequeno tenha língua presa.

Outra: os problemas de sucção podem levar o bebê a ser desmamado antes do tempo certo.

"Bebês com alteração no frênulo têm um número menor de sucção e um tempo maior de amamentação, algo em torno de oito a dez segundos. O normal é que essa pausa seja de quatro segundos e que a criança tenha uma quantidade maior de sucção", explica a fonoaudióloga Roberta Martinelli, criadora do teste.

Como é feito o Teste da Linguinha?

O exame é simples e rápido. Enquanto o bebê está mamando, o fonoaudiólogo ou outro profissional de saúde capacitado faz a avaliação anatômica e da força de sucção, além de análise dos batimentos cardíacos, da respiração e da saturação do oxigênio.

Não dói?

A fonoaudióloga Roberta Martinelli, criadora do teste da linguinha, afirma que a técnica não causa dor alguma ao bebê.

Primeiro, o profissional examina com os dedos o movimento da língua e a posição do frêmulo - pele que fica sob o órgão. Em seguida, observa e grava a amamentação da criança, para depois analisar os detalhes.

Portanto, o Teste da Linguinha não dói. Assim como não doi caso seja detectada alteração na membrana da língua. O corte da membrana não causa dor. Observação importante: nem todo bebê que tenha língua presa terá problemas no desenvolvimento da fala.

E quanto aos custos?

O Teste da Linguinha não terá custo em redes públicas e privadas, até porque, como citado acima, o procedimento é rápido e simples.

Leia também no site Guia do Bebê:
•   Teste da Orelhinha
•   Teste do Olhinho
•   Teste do Pezinho
•   Teste do Coraçãozinho   (não obrigatório)

Bruno Rodrigues

[Fonte: UOL - Guia do Bebê - com atualizações]

 

Especialista tira dúvidas sobre teste da linguinha em recém-nascidos

LEGISLAÇÃO - Teste da linguinha em recém-nascidos passa a ser obrigatório

(Foto: Thinkstock)

A obrigatoriedade do teste da linguinha em recém-nascidos, usado para diagnosticar a chamada língua presa, tem dividido a opinião de especialistas. A Lei nº 13.002/2014, de 20 de junho de 2014. De acordo com ela, o exame, que verifica se há uma alteração no frênulo - membrana que conecta a língua ao assoalho da boca -, deve ser realizado por profissionais de saúde em todas as maternidades no país.

O projeto de lei foi criado originalmente em decorrência do atendimento de crianças mais velhas com problemas de fala por falta de diagnóstico precoce. Porém, para alguns especialistas, a obrigatoriedade do teste pode levar a despesas desnecessárias, uma vez que ele já faz parte da rotina de pediatras. Ainda segundo esses profissionais, a correção na membrana pode ser feita mais tarde, pois são raros os casos de problemas na amamentação decorrentes da língua presa.

Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, Nádia Mallet, coordenadora técnica de fonoaudiologia da área hospitalar do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), falou sobre o assunto, apontando as vantagens de tornar o exame obrigatório.

AFN: O teste da linguinha em recém-nascidos deve ser obrigatório? Por quê?

Nádia Mallet: Nunca pensei neste procedimento como obrigatório, mas, no IFF/Fiocruz, a fonoaudiologia sempre teve como conduta, desde 1993, solicitar a equipe da cirurgia pediátrica o procedimento do pique no frênulo muito curto (frenectomia) nos recém-nascidos em que o frênulo curto impedia o movimento da língua durante a ordenha no peito materno, o que dificulta a pega no peito e pode, mais tarde, trazer alteração e /ou distorção durante a aquisição da fala, principalmente nos fonemas linguodentais.

O Conselho Federal de Fonoaudiologia empenhou-se para aprovação da lei que torna o teste da linguinha obrigatório e gratuito em todo o território nacional, assim como é o teste da orelhinha, do pezinho e do olhinho. Os estados da Paraíba, Mato Grosso do Sul, e alguns municípios de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul já aprovaram.

AFN: E a correção na membrana pode ser realmente feita mais tarde ou ela deve ser feita já na maternidade?

Nádia Mallet: O momento ideal seria ao nascimento nos casos em que esse frênulo é muito curto e se torna um impedidor da pega no peito materno. O procedimento é rápido e praticamente indolor quando é apenas uma membrana fina. Já para a membrana mais fibrosa, é necessário uma pequena sutura (um pontinho) após o pique, a recuperação é rápida. Nos casos em que o frênulo curto não venha a atrapalhar a amamentação, é necessário que a criança seja reavaliada por uma fonoaudióloga precocemente quando for iniciar a função da mastigação, e quando da aquisição da fala, para que seja logo detectado se há ou não alteração e/ou ausência na articulação de alguns fonemas.

AFN: Quanto por cento dos casos são diagnosticados em recém-nascidos?

Nádia Mallet: Pesquisa realizada em São Paulo (2011) constatou que em cada 100 bebês, 15% apresentavam alteração no frênulo lingual. Outra pesquisa realizada nos Estados Unidos (2002) constatou que cerca de 16% dos bebês que apresentavam problemas na amamentação tinham a língua presa.

AFN: O teste obrigatório pode levar a cirurgias desnecessárias de corte da membrana?

Nádia Mallet: Todo procedimento deve seguir um protocolo e todos os profissionais envolvidos deverão estar de acordo, e discutir caso a caso, para que não aconteçam procedimentos desnecessários.

AFN: Quais são as outras vantagens e desvantagens de tornar o teste obrigatório?

Nádia Mallet: É importante que os profissionais de saúde tenham conhecimento das consequências negativas no desenvolvimento sensório motor oral da criança de zero a dois anos de idade que nasceu com o freio de língua muito curto e não foi corrigido a tempo de evitar tantos transtornos em cada etapa do seu desenvolvimento oral. A obrigatoriedade traria essa conscientização.

Por Danielle Monteiro

[Fonte: Agência Fiocruz de Notícias - 22/01/2014 - com atualizações]

 

Infográfico

Infográfico - parte 1
Infográfico - parte 2
Infográfico - parte 3

Luciano Veronezi / Editoria de Arte / Folhapress

[Fonte: Folha de São Paulo - 22/12/2014]

 

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Referências:   (links externos)
»   Conselho Federal de Fonoaudiologia
»   Lei nº 13.002/2014, de 20 de junho de 2014

 

 

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