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20/04/2017

INTERNET - 13 motivos para você jogar o jogo da baleia... Rosa

 

 

O jogo da 'Baleia Azul' que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa tem asssustado muitos pais e outros parentes de adolescentes. Desde a semana passada o NOVO vem recebendo muitas mensagens, principalmente pelo whatsapp, de pessoas alertando sobre o perigo do jogo e a necessidade de fazer um alerta para evitar que o pior aconteça.

Por conta de tudo que tem se falado e de todo o alarde, reunimos aqui uma lista de informações para combater as mentiras, os boatos e qualquer possibilidade de dano a qualquer criança e adolescente. O jogo pode ser mentira, mas o perigo é real.

Quer jogar um jogo de baleia? O NOVO mostra que há um muito mais legal: o da baleia rosa, cujas missões são todas voltadas à valorização da vida e do bem estar de crianças, adolescentes e de seus parentes. Tanto que o último desafio é "salvar uma vida".

  1. O "jogo da baleia azul" nasceu de uma notícia falsa divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia que se espalhou a partir de 2015. "Era um 'fake news', mas existe um efeito que, sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. O jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir", explica o presidente da Safernet, Thiago Tavares. A SaferNet Brasil é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que reúne cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito com a missão de defender e promover os Direitos Humanos na Internet. O nome "baleia azul" se refere à uma crença popular que diz que esse tipo de mamífero marinho seria capaz de se encalhar voluntariamente em praias.
  2. O que atualmente está sendo conhecido como "jogo" na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios a adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente. O último desafio seria cometer suicídio.
  3. Não ha nenhum caso comprovado de suicídio ligado ao baleia azul no Brasil. O que há até agora são investigações policiais. Há pelo menos dois casos de morte sob investigação, em Mato Grosso e na Paraíba, além de uma tentativa de suicídio, no Rio de Janeiro, que supostamente pode ter relação com o jogo. Também no Rio, a Polícia Civil tenta identificar três supostas vítimas do Baleia Azul e tenta localizar responsáveis pelas tentativas de aliciá-las. Os adolescentes teriam recebido mensagens de "curadores", mas não teriam começado as "fases" da brincadeira. Em Vila Rica, cidade a 1.276 km de Cuiabá (MT), a Polícia Civil investiga se a morte de uma estudante de 16 anos estaria relacionada ao jogo. O corpo da adolescente foi encontrado sem vida no fundo de uma represa. A polícia suspeita de ligação porque teria sido encontrado um código escrito no braço da vítima.
  4. No Rio Grande do Norte não há nenhum caso de jogo da baleia azul. O que há aqui são áudios sendo compartilhados pelo whatsapp falando sobre o assunto. Um deles cita a cidade de Macau. O NOVO consultou a Delegacia Geral de Polícia e descorbriu que não há nenhum caso do tipo registrado no Estado nem nenhuma investigação sobre o assunto em andamento. Mais do que nunca vale lembrar: repassar boatos é crime.
  5. Os supostos jogadores costumam ser adolescentes, a partir de 12 anos, com tendência à depressão, na maioria das vezes vezes aliciados nas redes sociais, onde recebem suas missões dos administradores, também chamados de curadores.
  6. Promover esse tipo de jogo é crime e pode gerar penas de um a três anos de prisão. De acordo com o advogado criminalista Luiz Gustavo Filizzola Dúrso em artigo publicado no jornal Estado de São Paulo, "no que diz respeito à conduta do instrutor do jogo, o qual conduz a vítima durante as tarefas, em razão de seu auxílio ao participante a cometer o suicídio, também está sujeito à punição prevista no artigo 122 do Código Penal, caso o jogador cumpra o desafio final com êxito." Se jogador desistir e efetivamente sofrer ameaças, o autor comete o crime previsto no artigo 147, também do Código Penal, que estabelece: "Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave. Pena: detenção de um a seis meses ou multa".
  7. Os pais precisam ficar de olho. A história do jogo baleia azul surge exatamente na esteira do lançamento da polêmica série do Netflix "13 Reasons Why" (13 porquês), que também aborda a temática do suicídio. Na série, uma adolescente comete suicídio mas deixa 13 fitas cassetes explicando os motivos que a levaram a isso, citando os "culpados" e o que eles fizeram a ela. Acompanhamento é fundamental. Conversem com seus filhos sobre o jogo, digam que estão preocupados, abertos a conversar e que ofereçam ajuda. Proibir e controlar o acesso a internet não são recomendados, pois podem gerar mais interesse, mas ter regras para o uso da tecnologia é importante. E se os pais perceberem que o filho está participado mesmo da brincadeira e chegando a se colocar em risco ou se machucar, é importante levar a um profissional para que seja feita uma avaliação mais profunda de como o adolescente está.
  8. Existem outros jogos de baleia. Uma das primeiras iniciativas do tipo, para combater o baleia azul, foi tomada pelo colégio FECAP, em São Paulo, que decidiu trazer para dentro da escola a questão do jogo. Ao saber da Baleia Azul, os funcionários realizaram uma reunião e bolaram um plano para lidar com o assunto. Como a escola conta com um curso técnico de jogos digitais, a primeira proposta foi criar um jogo de resposta à Baleia Azul. "Nós lançamos o desafio aos alunos: criarem um jogo com 50 tarefas opostas à Baleia Azul. Com atitudes éticas, coletivas, que pensem no respeito e na solidariedade", explica a coordenadora do colégio, Nilda Di Giacomo. A ideia surgiu também para dinamizar a conversa e incluir os jovens de maneira ativa no debate sobre suicídio.
  9. Independente do cetáceo, é preciso estar atento a mudanças de comportamento. Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades, ouvida pelo site G1. O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. "Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores", diz Elizabeth.
  10. Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Isso deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do "Jogo da Baleia". "Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos", afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes "falam" abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.
  11. Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar e também se faz necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. O adolescente precisa se sentir à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção. Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe (também ouvida pelo G1), diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. "O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. "Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe."
  12. As escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. "Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem", afirma Elizabeth. Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidade da vida.
  13. Em oposição ao jogo da baleia azul foi criada o jogo da baleia rosa, que propõe também 50 desafios, todos visando o bem estar dos jogadores. Tanto que o desafio 50 é "Salve uma vida - ajude quem precisa". No site eles colocaram todas as 50 missões e explicam a iniciativa: "Estamos vivendo uma época de muita descrença, ódio, negatividade, impaciência, indiferença, incertezas. Parece que falta esperança nas pessoas! Nadando contra esta maré, sabemos que a internet pode ser uma poderosa ferramenta para reverter este quadro. Acreditamos que todos têm a capacidade de ajudar outras pessoas e construir o bem. Espalhe a baleia rosa por onde você for!"
    Quer participar? Acesse https://www.baleiarosa.com.br/

[Fonte: Novo Notícias - Cotidiano - 20/04/2017]

 

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Referências:   (links externos)
»   Baleia Rosa   (@eusoubaleiarosa)
»   cartilha de Segurança para Internet   (Cert.br)
»   Portal MPPR - Ministério Público do Estado do Paraná
»   SaferNet

 

 

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