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Criança e Adolescente

10/05/2014

ESTATÍSTICAS - 22% dizem ter sofrido agressão durante a infância

 

 
 

 

Unifesp. Levantamento também aponta que 5% relataram ter sido vítimas de abuso sexual quando criança ou adolescente. Especialista diz que violência está incorporada à cultura do país

Um em cada cinco brasileiros diz ter sido agredido fisicamente por pais ou cuidadores durante a infância ou a adolescência. Desses, 20% afirmaram que o agressor estava sob efeito de álcool. Os dados são do 2° Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), e foram divulgados ontem pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Arranhar, beliscar, empurrar e bater até causar marcas são as formas mais comuns. Outros 9% afirmam que foram insultados ou humilhados pelos próprios pais ou cuidadores. (veja quadro ao lado).

O abuso sexual também apareceu no levantamento: 5% dos a 4.607 brasileiros entrevistados em 149 municípios brasileiros relataram ter sido alvo desse tipo de agressão. Destes 7% são meninas e 3%, meninos. Questionados sobre bullying na escola, 13% disseram ter sofrido com o problema na infância ou na adolescência.

A coordenadora da pesquisa, Clarice Sandi Madruga, afirma que o quadro revelado pelo levantamento mostra que a violência é um comportamento incorporado à cultura do país e vem de gerações.

Segundo Clarice, existe uma relação muito grande entre a violência na infância e o uso de álcool e drogas na vida adulta. Mais da metade dos entrevistados que admitem ser dependentes de cocaína relatam ter sofrido alguma violência (52%). Entre a população geral, a porcentagem é bem menor - 21%.

"Além de serem mais propensas a utilizar drogas, estudos apontam que pessoas abusadas na infância ou na adolescência também têm mais chance de desenvolver depressão".

Veja também a reportagem sobre a pesquisa UNIFESP de 2009.

Infográfico

Metro

[Fonte: Metro Curitiba - 08/05/2014 - Edição nº 756, ano 4 - Pág. 5]

 

Vídeo - Entrevista

Psiquiatra fala sobre relação entre agressão na infância e uso de drogas na idade adulta
A psiquiatra Clarice Madruga fala sobre a pesquisa realizada pela Unifesp que mostra que crianças violentadas ou que sofreram algum tipo de agressão, tem mais chance usarem drogas na idade adulta.
(R7 - Vídeo - Entrevista - 08/05/2014)

 

Surra na infância induz a uso de droga, aponta estudo

Segundo levantamento, 21,7% dos brasileiros apanharam dos pais ou cuidadores quando crianças. Entre usuários de maconha, número sobe para 47,5%

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Homem consumindo maconha: segundo pesquisadores, criança que sofre agressão fica neurologicamente mais vulnerável ao uso futuro de drogas

São Paulo - Sofrer agressão física durante a infância ou adolescência aumenta em quase três vezes o risco de dependência química na idade adulta, aponta pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada nesta quarta-feira, 7 de maio.

Segundo o 2.º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), 21,7% dos brasileiros apanharam dos pais ou cuidadores quando crianças. Entre usuários de maconha, número sobe para 47,5%. Entre os dependentes de cocaína, é de 52%.

Segundo os pesquisadores, a criança ou o adolescente que sofre agressão fica neurologicamente mais vulnerável ao uso futuro de drogas.

"Sabemos que qualquer tipo de evento estressante no começo da vida afeta áreas do cérebro que são as mesmas responsáveis pelo desenvolvimento de dependência química e também pela administração do nosso humor, da nossa motivação", explica Clarice Madruga, pesquisadora da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo.

Segundo Clarice, esse estresse torna a pessoa mais vulnerável para desenvolver dependência. "Claro que também vai depender de outros fatores ambientais, como a facilidade de obtenção da droga e o amparo social que a pessoa tem."

Usuário de crack, cocaína e maconha, o mecânico Donizete Matos, de 28 anos, diz ter iniciado o consumo de drogas depois que começou a apanhar frequentemente do pai, aos 12 anos. "Meus pais se separaram e fui morar com o meu pai.

Só que minha madrasta não gostava de mim, e eu apanhava muito, geralmente sem motivo", conta o mecânico, que frequenta a Cracolândia, no centro da capital paulista.

Ainda hoje, ele mostra um desvio no osso do nariz e uma cicatriz na perna como marcas das agressões que sofria.

"Ele me dava soco, me cortava com faca de cozinha. E eu não aguentava apanhar sozinho, sem poder fazer nada. Ia fumar maconha." Agora que sua mulher, também dependente química, está grávida, Matos quer parar de usar drogas.

Clarice afirma que a prevalência de crianças agredidas no Brasil é muito superior à observada em outros países que registram a estatística. "Enquanto aqui temos 21,7%, em outros países o índice nunca passa de 12%."

Para a pesquisadora, a agressão contra os filhos não pode ser vista como natural. "É preciso pensar no trabalho de prevenção e estimular que a agressão seja denunciada. As escolas e as unidades de saúde devem ser treinadas para identificar a criança que sofreu algum abuso. Também temos o Disque 100, uma central para denunciar qualquer tipo de violação dos direitos humanos."

Abuso e bullying

O Lenad mostrou ainda que 5% dos brasileiros relataram já ter sofrido abuso sexual na infância ou adolescência. O índice chega a 7% quando analisados os dados das entrevistadas do sexo feminino. Na maioria dos casos (58%), o autor do abuso era um parente ou amigo da família.

As mulheres também são os maiores alvos de bullying, de acordo com a pesquisa da Unifesp. Entre os homens, 12,1% dos entrevistados disseram já ter sido vítimas da prática. Entre as entrevistadas, o índice foi de 13,8%.

A agressão verbal foi o tipo de bullying mais sofrido pelos que responderam a pesquisa (12%), seguido pelas provocações indiretas, como fofocas, rumores e isolamento social, citadas por 5% dos entrevistados. Os pesquisadores da Unifesp entrevistaram 4.607 pessoas com mais de 14 anos, em 149 municípios brasileiros.

Fabiana Cambricoli, do Estadão

[Fonte: Revista Exame - 07/05/2014]

 

Notícia Estadão

"Surra" na infância induz a uso de droga
Segundo estudo da Unifesp, agressão física nos primeiros anos de vida aumenta em quase 3 vezes o risco de dependência na fase adulta.
(07/05/2014 - Jornal O Estado de São Paulo)

Notícia Revista Veja

5,4 milhões de brasileiros relatam abuso sexual na infância
Levantamento feito pela Unifesp divulgado nesta quarta mostra que mais da metade dos agressores é parente ou amigo próximo da família da criança
(07/05/2014 - Revista Veja)

 

Matérias relacionadas:   (links internos)
»   Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
»   Calendário (18 de Maio)

Referências:   (links externos)
»   Levantamento Nacional de Álcool e Drogas
»   Prove - Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência
»   UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (Depto. Psiquiatria)

 

 

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