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Criança e Adolescente

15/05/2013

PUBLICAÇÃO - José Louzeiro republica "Aracelli, Meu Amor"

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Livro censurado pela ditadura é relançado

Crime tão chocante que até hoje é lembrado, assassinato de Aracelli Cabrera Sanches Crespo ganhou forma literária

José Louzeiro, autor de Aracelli, meu amor

José Louzeiro, autor de "Aracelli, meu amor"

Crime tão chocante que até hoje é lembrado, o brutal assassinato da menina Aracelli Cabrera Sanches Crespo, de 8 anos, cometido em 1973, ganhou forma literária no livro "Aracelli, Meu Amor" (Editora Prumo, 232 páginas, R$ 29,90), sucesso de público nos anos 1980. De autoria do escritor e jornalista José Louzeiro, a obra, que foi censurada durante a ditadura militar a pedido dos advogados dos acusados, será relançada pela Editora Prumo.

Investigada pelo próprio autor na época, a história do crime de que foi vítima Aracelli, filha de Gabriel Crespo e da boliviana Lola Sanchez, é registrada no livro com os nomes reais das pessoas envolvidas no caso. De cunho jornalístico-investigativo, o relato segue o mesmo gênero das reportagens produzidas por Louzeiro nos anos 60, 70 e 80. Em seus mais de 50 livros publicados, todos inspirados em fatos policiais, o escritor faz a denúncia dos interesses que interferem na apuração e punição dos crimes, quando seus autores mantêm ligações com o poder político ou econômico.

A menina alegre, de olhar doce, morava em uma casinha do bairro de Fátima, na cidade de Serra, a poucos minutos da capital capixaba. Estudava no colégio São Pedro e, numa sexta-feira, 18 de maio de 1973, não chegou em casa no horário habitual. Com o passar das horas, a preocupação foi aumentando. Pensando em se tratar de um sequestro, o pai de Aracelli distribuiu fotografias da filha aos jornais.

O corpo da menina foi encontrado seis dias depois nos fundos do Hospital Infantil de Vitória. Uma das hipóteses era de que Aracelli teria sido mandada pela mãe, que era um contato da rede de narcotráfico Bolívia-Brasil, para entregar um envelope aos supostos criminosos. Chegando lá, os acusados a teriam drogado, estuprado e assassinado, em um apartamento no centro de Vitória.

Ameaças

Segundo Louzeiro, o caso gerou a morte de possíveis testemunhas até pessoas determinadas em desvendar o crime. Ele próprio, enquanto investigava o assassinato em Vitória para produzir seu livro, foi ameaçado de morte.

"O caso foi pesquisado durante anos", relata Louzeiro. "Idas e vindas a Vitória foram, no mínimo, quatro vezes. As visitas à cidade eram secretas, pois, a essa altura, eu já estava marcado para morrer pelos amiguinhos dos assassinos e isso só não aconteceu graças à cobertura que tivemos do perito criminal Asdrúbal de Lima Cabral, mais conhecido como Dudu. Sem a colaboração dele (arriscando a vida) seria impossível recolher o material que recolhi."

Ele ainda afirma que a mãe da menina realmente tinha envolvimento com o tráfico de drogas e o envelope entregue à filha para levar ao "tio" estava recheado de cocaína. Antes das investigações serem encerradas, a mãe desapareceu misteriosamente. Aracelli foi sepultada, três anos depois, no Cemitério Municipal da cidade de Serra.

[Fonte: O Liberal - Notícia 16/02/2013]

  

Aracelli, uma brasileirinha: 40 anos de impunidade>

Em defesa da menina barbaramente assassinada, jornalista José Louzeiro pede a reabertura do processo e denuncia "os intocáveis" de Vitória (ES)

Aracelli, meu amor - a nova publicação e as capas antigas

A nova publicação e as capas antigas

Aracelli Cabrera Crespo, símbolo do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, tem o seu nome manchado de sangue há 40 anos pela impunidade no Brasil. Aos 8 anos de idade, em 18 de maio de 1973, a menina Aracelli foi estuprada e assassinada a dentadas pelos filhos da elite de Vitória (ES), Dante Michelini Jr. e Paulo Helal, mas, julgados foram absolvidos, protegidos pela polícia, Justiça, militares e governantes durante a ditadura.

Em 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, o dia do assassinato de Araceli se transformou em símbolo do combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, mas os assassinos continuaram impunes.   [Lei nº 9.970/2000, de 17 de maio de 2000] Até hoje. Aos 80 anos, o jornalista José Louzeiro, autor do romance reportagem Aracelli, meu amor, censurado na época pelo governo militar, denuncia os "intocáveis" de Vitória e se mantém fiel aos oprimidos, na reportagem, na literatura e na vida.

Brasil de Fato - O que significam esses 40 anos de impunidade no caso Araceli?

José Louzeiro - É, rico não vai preso.

Em seu livro Aracelli, meu amor, relançado neste ano, você explica que Dante Michelini Jr., o Dantinho, e Paulo Helal, o Paulinho, assassinaram Araceli, em uma festinha violenta do pessoal da motoca. As famílias Helal e Michelini eram traficantes de drogas?

Sim, elas eram donas do tráfico, da polícia, dos ônibus, dos aviões, do campo, da cidade, tudo.

Como você conseguiu fazer uma investigação tão minuciosa, chegando a tantas fontes para a elucidação do caso Araceli?

Eu passei uns dois anos colhendo material, devo ter ido umas 50 vezes escondido para Vitória. Eu fiz essa investigação com a ajuda do perito Asdrúbal de Lima Cabral, o Dudu, o repórter Jorge Elias, do jornal Última Hora e a fotógrafa, Ednalva Tavares, minha mulher na época.

Ao invés de ouvir as fontes oficiais, você procurou ouvir as pessoas do povo, nas ruas, na periferia de Vitória, na barbearia, na mercearia, no bar, porque eles tinham as informações que a polícia e os militares escondiam?

Eu nunca acreditei nas fontes oficiais. Sempre desconfiei. Eu ouvia todos nas ruas, porque eles sabiam o que estava acontecendo.

Você ouviu a cozinheira, a enfermeira, o motorista, a prostituta...

É, o funcionário do bar onde a menina foi metida na geladeira...

Você foi descobrindo as testemunhas silenciadas, como a namorada do Jorge Helal, a Marislei, e o motorista?

Sim, mas depois eles foram matando as testemunhas, como o Homero Dias, que trabalhava no serviço secreto da Polícia Militar, enviado para investigar o assassinato, e mataram também a namorada do Homero, que não tinha nada a ver com a história.

Então, mesmo sob a perseguição dos Michelini e Helal, você conseguiu as fontes para reconstituir o crime e apontar os assassinos, em Aracelli, meu amor?

O livro - eu tenho muito orgulho disso - é uma reportagem. Eu sempre tive a necessidade, não sei por quê, de me comprometer com a verdade, doa a quem doer, até a mim mesmo. Porque até perdi o emprego por causa disso. Então, cheguei aqui, nos primeiros 80 anos e no que puder ajudar para a memória de Araceli, pode contar comigo. Agora, eu vou lutar muito e peço a ajuda de vocês para fazermos o longa-metragem sobre o caso Aracelli e gostaria que fosse com o diretor Sérgio Rezende.

Na opinião do jurista Hélio Bicudo, embora já prescrito, o processo do caso Araceli poderia ser reaberto como crime hediondo. Você concorda com Bicudo?

Sim. Eu me coloco à disposição para dizer o que for possível em defesa dessa menina que passou por nós e foi tão cruelmente sacrificada. Ela foi morta a dentadas, por cachorros com formato de ser humano.

O governo Dilma deveria exigir a punição dos assassinos da brasileirinha símbolo do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes?

Eu acho que o poder fez a nossa presidenta esquecer as torturas que ela sofreu. Eu imagino o que ela sofreu. Porque o lema da casa era o seguinte: entram agoniando e saem agoniados, num caixão, nem caixão...

Então, a justiça para a menina Araceli envolve a coragem de mexer no passado da ditadura, coisa que a Comissão da Verdade ainda não conseguiu?

Nós vivemos num país que tem dois donos: os ricos e os milicos.

Cecília Luedeman, de São Paulo (SP) - 15/05/2013

[Fonte: Brasil de Fato - Notícia 15/03/2013]

 

Editora Prumo

Aracelli, meu amor

Autor: José Louzeiro - Selo: Editora Prumo
Páginas: 232 - Tamanho: 14x21 cm - Preço: R$ 29,90
ISBN: 9788579272370 - N° catálogo: 9788579272370 - Ano: 2013

Sinopse
Dentre os diversos livros escritos por José Louzeiro, está "Aracelli, meu amor", narrativa de cunho jornalistico-investigativo de grande sucesso nos anos 1980. O livro conta a história de Aracelli, a menina de oito anos assassinada violentamente em 18 de maio de 1973. Seu corpo foi encontrado somente seis dias depois, desfigurado e com marcas de abuso sexual. Os envolvidos, provenientes de famílias influentes no Espírito Santo, nunca foram punidos por seu crime. Vinte e sete anos depois, a data da morte de Aracelli foi transformada no Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pelo Congresso Nacional.

[Fonte: Editora Prumo]

 

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Referências:   (links externos)
»  Editora Prumo
»  Lei nº 9.970/2000, de 17 de maio de 2000 (institui o 18 de Maio)

 

 

 

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